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"A Transformação da Alfarroba: De Símbolo de Escassez a Superalimento Contemporâneo"

Através de pesquisa documental e trabalho de campo, no Sul de Portugal, pretende-se compreender de que forma a alfarroba passou por um processo de valorização, surgindo como superalimento. Num tempo em que a saúde e a alimentação assumem um papel de relevo nas práticas culturais e sociais, e que as preocupações com a sustentabilidade ambiental são cada vez maiores, este produto rico em fibras e antioxidantes, com baixo índice glicémico e altamente sustentável (as alfarrobeiras são resistentes à seca e exigem parcas quantidades de água), possui características que lhe conferem um lugar de destaque na alimentação humana. Responde às necessidades da alimentação natural e vegan. A alfarroba é historicamente associada à ideia de "comida de pobreza" devido a fatores como sua abundância, resistência e acessibilidade em regiões áridas e os seus frutos são uma alternativa barata e nutritiva em tempos de escassez ou dificuldades económicas. Num passado recente, o seu uso como alimento para animais contribuiu para o estigma social e foi considerada uma "comida de menor valor", destinada a populações muito pobres, que outros consideravam como não comida. O renascimento deste produto na gastronomia portuguesa contemporânea (bolos, molhos, gelados,...), reflete uma mudança na perceção cultural dos alimentos, demonstrando como ingredientes antes associados à pobreza podem ser redescobertos e valorizados. Consideramos que a revalorização da alfarroba, está relacionada com a preocupação com a sustentabilidade ambiental mas também com a transformação das práticas alimentares e representações culturais face à saúde. A divulgação do produto dá-lhe visibilidade e torna-o "moda".

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