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A IRONIA DO GRAFFITI: ENTRE O CRIME, A ARTE E O TRABALHO. UM ESTUDO ETNOGRÁFICO NA CIDADE DE BELO HORIZONTE.

Nossa proposta é apresentar uma pesquisa em desenvolvimento na área de antropologia urbana que aborda as relações entre grafiteiros e o mundo do trabalho na cidade de Belo Horizonte. O principal objetivo é analisar como esses atores sociais organizam seus recursos (técnicas e saberes) para acessar o mercado. A metodologia é etnográfica, com técnicas de observação participante e entrevistas em profundidade realizadas com artistas procedentes de regiões periféricas. O graffiti, originalmente uma forma de comunicação paralela às estruturas formais de controle, considerado poluição visual a ser punida como crime, incorporou novos sentidos, sendo reconhecido como arte pelos moradores da cidade. Antes classificados como transgressores das normativas sociais, os grafiteiros passam a ter suas produções inseridas na paisagem urbana por meio do incentivo do poder público e da iniciativa privada. Ainda assim, o graffiti é uma prática excluída do mercado formal de trabalho e os artistas enfrentam problemas de acesso em circuitos comerciais e espaços de visibilidade. Os resultados apontam que o grupo participante da pesquisa, para garantir a sua sobrevivência, investe na busca por linguagens localizadas nas intersecções entre seus recursos e as competências demandadas pelo mercado e permitidas por leis, promovendo uma série de adaptações no âmbito da estética, técnicas e ferramentas. Por outra parte, eles mantêm práticas vandálicas, desafiando linguagens institucionalizadas. Podemos constatar nas narrativas de nossos interlocutores que essas estratégias geram um universo de contradições que contribuem para a construção de uma identidade híbrida, que transita entre o crime, a arte e o mundo do trabalho.