A Escrita Etnográfica – Entre o Realismo e a Ficção

A proposta deste trabalho é oferecer uma perspectiva sobre a etnografia enquanto atividade textual híbrida, em que poesia, arte, literatura e ficção constituem novas práticas experimentais antropológicas. Partindo da leitura do artigo de Marilyn Strathern O Efeito Etnográfico, em que a autora esclarece sobre como a escrita etnográfica cria um segundo campo, objetiva-se revisitar o conceito de realismo etnográfico na antropologia moderna com vista a pensar a etnografia para além do método de campo e, em seu lugar, discorrer sobre a prática da escrita etnográfica como possibilidade alegórica e performática. O componente ficcional de toda etnografia ousa questionar a pretensão de representação do real supostamente garantida pelo relato dos fatos. O real reescrito nas palavras do autor, apesar de verdadeiro, não apenas está atrelado e aderente ao que ele viveu, mas compartilha de uma criatividade e invenção que o processo da escrita incita. Neste sentido, pois, reside uma espécie de ficcionalidade etnográfica. Este trabalho de reflexão que aqui vigora retoma as investidas teóricas criativas de James Clifford e Roy Wagner, passando pelas críticas sobre o real de Slavoj Zizek e Hal Foster, para aportar em experiências literáriasque constituem, também, uma construção do/sobre o Outro.  


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