Medicina sem corpos? Inteligência artificial e os artifícios da inteligência

Versaremos sobre os resultados parciais da etnografia pós-doutoral multissituada em escolas de medicina brasileiras, entre os anos de 2018 e 2019, intitulada “Corpos educando Corpos: biotecnologias e modulações do self na formação médica”, que investiga - no campo dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT) a partir da perspectiva de technological frame de Wieber Bijker de acordo com os preceitos da Antropologia Simétrica de Bruno Latour - a interação dos corpos humanos com os corpos não humanos nos laboratórios de habilidades, especificamente a Realidade Virtual (RV). A rede de atores que compõem o contexto está envolta em um sincretismo de motivações e em uma ambivalência de finalidades quando difundem modos de existência apoiados na inteligência artificial ao interagirem com esses artefatos. Em aparente oposição, ora os “médicos de trincheiras” – que tiveram suas formações anteriores ao boom das biotecnologias -  falam sobre a obsolescência dos corpos na formação médica, ora os jocosamente nomeados de “médicos de laboratórios” – treinados por essas biotecnologias na contemporaneidade - falam sobre um enriquecimento da experiência humana. Os treinamentos de habilidades nos laboratórios promovidos pela Realidade Virtual prometem elevar a interação a outro patamar, superando questões raciais, de gênero, de classe e de cultura, já problematizados por Dona Haraway. Seria o fim dos corpos humanos para a formação médica? Os resultados trazem as percepções e as modulações do self dos estudantes interlocutores da Escola Multicampi de Ciências Médicas (EMCM), na cidade de Caicó, no Sertão Potiguar, envolvidos com a Inteligência Artificial (IA).


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