“Não é um muro, são sete muros, um atrás do outro!” – Muros, fronteiras e (i)mobilidades nas experiências de vida dos refugiados saharauís

Os discursos e práticas em torno dos fluxos migratórios em contextos de mobilidades forçadas, que afectam milhões de refugiados, têm-se focado nas fronteiras e suas fortificações (físicas e/ou simbólicas), tornando-as “regiões de espaços” (Balibar 2010: 316) contestadas, onde se jogam (i)mobilidades, em locais onde se assiste a uma “suspensão da lei no tempo e no espaço” (Brown 2010: 46). A análise do caso saharauí é, por isso, da máxima pertinência: em processo de descolonização e aguardando por um referendo de autodeterminação (desde 1992), a população exilada fez dos acampamentos de refugiados (Tindouf, Argélia) a base do projecto político da República Árabe Saharauí Democrática (RASD). Desde 1975 que que cerca de 160.000 saharauís se encontram numa situação crónica de refúgio (Loescher e Milner 2005). A partir dos acampamentos integram múltiplos processos de mobilidade transnacional (Basch et al. 1994), contrariando assim a ideia de estancamento associada a contextos desta natureza (Malkki 1995). A partir do exílio, e num processo de negociação constante (Freise e Mezzadra 2010), a quotidianidade saharauí cruza, e é cruzada por, diversas fronteiras: físicas, simbólicas e legais. Contudo, os desejos de que os processos de mobilidade conduzam a um Sahara Ocidental independente esbarram, literal e metaforicamente, num muro. Com aproximadamente 2700 quilómetros, o muro é a materialização dum estado de excepção (Agambem 1995). Com base numa pesquisa etnográfica, pretende-se explorar a quotidianidade da fronteira entre os refugiados saharauís, assim como os percursos transnacionais que as cruzam, rompem e contestam.


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