A Comunidade Piscatória de Setúbal no seu Quotidiano: Desafios Etnográficos de Diferentes Relações

Hoje, a Antropologia, nas suas correntes mais recentes, é dos principais espaços de reflexão e discussão para o afastamento de dicotomias Humano/Natureza, realçando métodos como o trabalho etnográfico para pensar a dinâmica e agência dos elementos quotidianos. No contexto atual do Antropoceno, entender a interação dos pescadores com o meio marítimo é decisivo para criar medidas de conservação ambiental socialmente sustentáveis, em geral, e, em particular, para o entendimento da condição atual das comunidades marítimas. Porém, perante as alterações climáticas, trabalhar esta questão implica mais do que a compreensão da condição social dos pescadores, mas também uma reflexão que compreenda a transformação dos elementos naturais com os quais estes seres humanos lidam no seu quotidiano. As perspetivas antropológicas atuais têm pensado o ser humano enquanto fluxo contínuo em conexão com o ambiente, outros organismos e grupos, instrumentos de trabalho, modos-de-habitar e mundovisões. Partindo desta premissa, e aplicando-a à atividade piscatória, marcada por processos de incorporação do conhecimento, será apresentado uma etnografia com a comunidade piscatória de Setúbal, abrindo espaço para questões teóricas e práticas como a relação destas pessoas com os diferentes elementos e seres com que interagem no seu quotidiano: como é essa relação? Que tipo de narrativas constroem acerca de diferentes espécies? O mar como é pensado, sendo este um elemento não-humano de grande importância? Como é que podemos empiricamente trabalhar estas questões? São algumas das questões levantadas.


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