DIFERENTES VOZES DO DIÁLOGO EM PRÁTICAS EDUCATIVAS EM ALIMENTAÇÃO

As concepções de alimentação saudável variam ao longo de um processo social e histórico, e muitas vezes estão idealizadas em modelos normativos incorporados não intencionalmente na cultura local. A percepção de bom e ruim é ressignificada no diálogo entre os agentes sociais considerando a prática educativa como um locus de trocas simbólicas e a educação como comunicação e diálogo. Essa pesquisa toma o diálogo em torno do comer como mediador de trocas simbólicas, capaz de reproduzir sentidos e significados de construções de uma “boa educação alimentar”. O objetivo desse estudo é analisar criticamente algumas práticas educativas de oficinas culinárias de extensão universitária em escolas públicas brasileiras de ensino básico quanto ao aspecto comunicacional e dialógico. A partir de uma análise aprofundada das relações entre os agentes sociais e entrevistas, em duas escolas no ano de 2014, verificamos que os agentes das práticas compartilham e disputam significados acerca do comer saudável, reproduzindo posições estereotipadas condizentes com uma cultura de dominação simbólica onde o que predomina é o julgamento entre um comer certo e errado. O diálogo opera variadas ‘vozes’ concomitantes e concorrentes que se revelam em gestos e impressões de afetividade em relação ao comer, mas fica clara a necessidade de normas de referência a um padrão de ‘bem comer’. Observamos que a culinária local ainda que opere como uma ‘voz’ do povo, respeitada pelos educadores, não predomina nem alcança valor relevante no diálogo. Consideramos um desafio a desnaturalização de um padrão de comer certo presente nas práticas educativas em alimentação.


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