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Podem relatos na primeira voz desafiar a linha abissal tecida por narrativas masculinas dominadoras? A escuta profunda das experiências das mulheres moçambicanas e angolanas durante a luta nacionalista

A guerra destrói as sociedades, física, emocional e mentalmente. As mulheres, duplamente excluídas – epistémica e ontologicamente – integram as narrativas de violência essencialmente como vítimas. Como entendem as mulheres estes episódios de violências extrema? Qual a sua participação na guerra? Desafiar o pensamento abissal, instrumental no silenciamento e subalternização da agência das mulheres, é o objetivo desta apresentação, com enfoque em Angola e Moçambique, nas lutas nacionalista em Moçambique. A cultura da evidência procura denunciar a violência como uma norma desde a implantação do colonialismo moderno, em finais do séc. XIX. Embora isto seja verdade, as palavras das mulheres acerca da sua experiência de opressão, violência e resistência permanecem enterradas sob camadas ou graus de silêncio. E os papéis das mulheres moçambicanas e angolanas nas lutas nacionalistas não escapam a esta violência epistémica e ontológica. Procuramos, a partir da proposta metodológica das Epistemologias do Sul, expor a dificuldade em escutar as vozes silenciadas das mulheres, vozes que permitem dar visibilidade a situações e atoras que têm sido ativamente produzidas como inexistentes pelas abordagens dominantes, ou seja, como uma alternativa não credível à narrativa dominante (masculina) acerca das lutas nacionalistas. Esta linha de investigação tem como objetivo subverter a produção de ausências — neste caso, o papel das mulheres na luta pela libertação — ao torná-las sujeitos presentes.
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