Pires Nogueiro, Maria Emília(2026). Cultos femininos na montanha - as ‘Sete Irmãs’: Património cultural transfronteiriço no nordeste transmontano. ARIES, Anuario de Antropología Iberoamericana,
Chicago
Pires Nogueiro, Maria Emília.Cultos femininos na montanha - as ‘Sete Irmãs’: Património cultural transfronteiriço no nordeste transmontano.ARIES, Anuario de Antropología Iberoamericana.(Oct, 2026).
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Pires Nogueiro, Maria Emília(2026). Cultos femininos na montanha - as ‘Sete Irmãs’: Património cultural transfronteiriço no nordeste transmontano. ARIES, Anuario de Antropología Iberoamericana,
Nas narrativas patrimoniais atuais o património cultural material português do nordeste transmontano ainda é reiteradas vezes destacado pela arquitetura militar que expressa os continuados conflitos de fronteira. Mas, as ermidas marianas sobrepõem-se aos castelos na paisagem e ocupam sempre os sítios mais elevados das montanhas do nordeste de Trás-os-Montes. Chamadas de ‘Sete Irmãs’ ou ‘Sete Senhoras’, as lendas locais relacionam sete ermidas de distintas invocações marianas em vários concelhos de Trás-os-Montes e Castela e Leão. A devoção a Maria, Mãe de Jesus, ainda hoje persiste e expressa a profundidade das relações das comunidades com o seu entorno em festividades e romarias que se celebram em Sua honra no cimo das montanhas mais altas. A permanência destas práticas cultuais ilustra a forte resistência da memória local e a relação das comunidades com o seu património cultural que se expande e transcende a linha de fronteira.
Esta arquitetura na paisagem sacraliza uma rede de territórios que são de baixa densidade populacional e que dos dois lados da fronteira coincide com espaços naturais protegidos.
É objetivo deste painel refletir sobre este território-rede e sobre a sua perceção fora do seu contexto cultual local. Que valor é hoje dado ao património cultural, histórico e artístico transfronteiriço? Que proteção envolve este património cultural religioso? Que estratégias para o desenvolvimento deste território-rede estão ou poderão vir a estar implementadas?
Refletir sobre esta realidade permite-nos identificar metodologias de atuação que podem contribuir para a divulgar, proteger e paliar algumas das necessidades já sentidas localmente.