MARCANTE, MAICON FERNANDO(2026). Sacralidade e materialidades: apontamentos a partir da patrimonialização da Coleção Perseverança (Brasil). ARIES, Anuario de Antropología Iberoamericana,
Chicago
MARCANTE, MAICON FERNANDO.Sacralidade e materialidades: apontamentos a partir da patrimonialização da Coleção Perseverança (Brasil).ARIES, Anuario de Antropología Iberoamericana.(Oct, 2026).
APA American Psychological Association
MARCANTE, MAICON FERNANDO(2026). Sacralidade e materialidades: apontamentos a partir da patrimonialização da Coleção Perseverança (Brasil). ARIES, Anuario de Antropología Iberoamericana,
A Coleção Perseverança é composta por objetos religiosos que foram roubados de terreiros de candomblé no violento episódio de perseguição conhecido como Quebra de Xangô, ocorrido no ano de 1912 em Alagoas, região Nordeste do Brasil. Em 2024, a Perseverança foi reconhecida como patrimônio cultural brasileiro a partir de um processo de interlocução entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – órgão responsável pela política patrimonial brasileira – e lideranças religiosas de Matriz Africana de Alagoas. Partindo de acompanhamento etnográfico dessa interlocução, a presente reflexão problematiza a imbricação e os tensionamentos verificados entre os processos de musealização e patrimonialização institucional e os valores atribuídos aos objetos por parte das lideranças religiosas. Inicialmente, apresento um panorama do Quebra de Xangô visando contextualizar a violência que resultou na ruptura entre os objetos e seus terreiros de origem. Em seguida, exploro o substrato etnográfico depreendido da interlocução com religiosos que revelou a dimensão de sacralidade da Coleção Perseverança. Finalmente, teço reflexões sobre os tensionamentos decorrentes dessa valoração/significação dos objetos como sacralidade diante de sua musealização e também de sua patrimonialização institucional como patrimônio cultural brasileiro. Os apontamentos derivados do processo de interlocução com religiosos sugere que a materialidade dos objetos abriga em si mesma a dimensão de sacralidade, problematizando a distinção ontológica entre bens tangíveis e intangíveis.