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DA EXPERIÊNCIA À EXPETATIVA: O FUTURO COMO OBJETO DE ESTUDO EM ANTROPOLOGIA

Na sua génese, a antropologia adotou a tradição, os costumes e a herança cultural como objetos exclusivos de estudo. Procurando as regularidades (Malinowski) ou as irregularidades (Boas), os founding fathers excluíram da investigação antropológica a análise das repercussões futuras das práticas presentes, negligenciando o facto de que muitas das práticas humanas constroem futuros e são informadas por imaginações do futuro, como lembra Arjun Appadurai. O pressuposto da necessidade de se estudar o futuro no presente, de que parte a presente proposta, é sustentado na filosofia do tempo histórico de Reinhart Koselleck, segundo a qual, conforme não existe expetativa sem experiência, também não existe experiência sem expetativa. Por outras palavras, memória e antecipação estão ambas envolvidas na concretização do presente. O objetivo da presente comunicação é refletir sobre um modo particular de concretização do futuro no presente: a digitalização dos sistemas sociotécnicos ligados à prestação de cuidados de saúde. Parte-se da identificação dos imaginários sociotécnicos, alimentados pela prossecução do ideal da saúde digital, e das condições em que eles são concretizados no presente para promover o debate sobre a possibilidade de teorização de uma antropologia antecipatória que integre o futuro no presente como via para apreender a realidade social.
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