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Humanitarismo de risco: tecnologias de gestão de risco como resposta à violência armada

Desde 2019, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) tem trabalhado nas favelas brasileiras para tratar dos efeitos da violência armada na população. Diferentemente do trabalho de ajuda humanitária emergencial que realiza em situações de guerra, no Brasil o CICV tem operado um programa chamado Acesso Mais Seguro (AMS). O AMS consiste de uma tecnologia de gestão de risco que busca ajudar profissionais de serviços públicos essenciais a lidarem com situações de violência armada no cotidiano de trabalho. Nessa forma emergente de ação humanitária como tecnologia de risco, uma preocupação com o presente imediato (Redfield, 2005) dá lugar à preocupação com o presente cotidiano. O AMS, com seus componentes de análise de risco e protocolos de comportamento, é tanto a materialização de um saber humanitário especializado quanto uma forma de meta-expertise. De um lado, o programa instrui profissionais em como se proteger durante tiroteios, e, de outro, reconhece que certos comportamentos para segurança dependem do contexto local, que por outro lado devem também incorporar protocolos locais para a segurança dos profissionais. Um exemplo é a forma como risco é classificado de acordo com o programa, de um nível verde (baixo), até vermelho (muito alto). A presença de pessoas armadas nos arredores de uma escola ou posto de saúde, por exemplo, pode caracterizar “amarelo” (médio) para alguma unidade, mas “verde” para outra, dependendo do que é considerado “normal” em cada localidade.
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