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Fluxo viral e fronteiras permeáveis: febre amarela e emaranhamentos entre a epidemiologia florestal e a ecologia urbana em Sergipe, Brasil

Era o ano de 2016 quando autoridades brasileiras anunciavam um novo surto de febre amarela em alguns estados do país. Até então considerado silvestre, o vírus da febre amarela (YFV) agora preocupava tais autoridades pela possibilidade de estar circulando nas cidades.  Desde então, seguir o rastro destes vírus tem sido central nas atividades de vigilância desenvolvidas por órgãos governamentais e de pesquisa. Tais atividades consistem em explorar a complexa ecologia viral emaranhada nos corpos de diferentes insetos (vetores) e primatas não-humanos (reservatórios). Alguns destes primatas tornam-se vítimas fatais da doença (sentinelas), como é o caso dos macacos-bugio (Alouatta sp.), os principais indicadores da circulação do YFV no Brasil. Nesta sessão, abordo aspectos etnográficos relacionados a pesquisadoras e autoridades governamentais locais lidando com a provável circulação do YFV no estado de Sergipe, no nordeste brasileiro. Não há, no entanto, ocorrências registradas da doença, nem dos macacos-bugio no estado. Em seu lugar, há uma rica diversidade de mosquitos, potenciais vetores, e uma abundância de saguis, pequenos primatas que são possíveis reservatórios/sentinelas do vírus em questão. Esses animais estão num fluxo constante entre a cidade, seja em áreas urbanas ou periurbanas, e a floresta, evidenciando certa permeabilidade de fronteiras conceituais entre o urbano e o silvestre. Espécies em movimento são, portanto, um elemento disruptivo dos regimes biopolíticos de conservação e controle que desafiam “topologias de uma vida infectada”.  Através das fricções entre o fazer ciência e o fazer política, explorarei os emaranhamentos entre ecologias e epidemiologias emergentes na floresta e na cidade.
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