A gestão da carne para a alimentação da população de Loulé (Séculos XIV e XV)

Num estudo publicado em 2016 relativo aos Contributos para a História da Alimentação Algarvia no período de 1384 a 1488 verificámos que, nas sessões de Câmara, os homens bons confrontavam-se com a problemática da criação de gado, da sua guarda ou adua, do abate dos animais e seu corte e finalmente, da sua venda. Queremos agora perceber se essa preocupação com o fornecimento da carne à população da vila medieval de Loulé continuou no século XV e no século XVI através do estudo de dois períodos que as atas de vereação das sessões de câmara permitiram definir: 1492 a 1497 e 1522 a 1527. Tal preocupação com o fornecimento de carne às populações do concelho revela que aquele alimento tinha peso na economia do território, com o concelho a eleger adueiros e açougueiros, anualmente, para cuidarem e apascentarem os animais nas terras afastadas das culturas agrícolas e para os abaterem e venderem a sua carne. Nos anos de 1492 a 1497 a problemática relacionada com a criação de gado para fornecimento de carne à vila louletana continua a estar na linha da frente dos debates registados nas reuniões do conselho dos homens bons. O período de 1522 a 1527 parece ter sido de crise alimentar e de pobreza generalizada. A vila estaria ainda a recuperar de um terramoto ocorrido em 1521 cuja dimensão e consequências se desconhece para Loulé mas que se sabe ter tido graves consequências noutros locais do Algarve (Simões, 2012:77). A fome e a pobreza generalizaram-se.


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