Efeitos da pandemia: antropologia pública e o debate sobre ciência no Brasil

Nesta comunicação apresento algumas reflexões derivadas da experiência de criação e editoração do Boletim Ciências Sociais e Coronavirus. Trata-se de uma publicação diária, apoiada por nove associações científicas de ciências humanas brasileiras e latinoamericanas, que tem como objetivo fomentar e divulgar análises de cientistas sociais sobre os impactos da pandemia Este projeto também deu origem a um podcast Ciências Sociais e Coronavirus, uma série cuja proposta é a de inverter o vetor do boletim. Complementarmente, sua proposta não é privilegiar a análise dos especialistas, mas sim a de amplificar as histórias sobre as variadas experiências da quarentena. Nele ouvimos grupos historicamente silenciados, ecoando suas experiências de quarentena em suas próprias vozes. De modo geral, ambas iniciativas têm como mote explorar o fato de que se, por um lado, não há seletividade biológica por parte do virus em uma pandemia, por outro, a distribuição dos riscos é desigual. A fantasia de um “vírus democrático”, como insistem alguns analistas, ou é sintoma de um desejo de que a natureza realize os princípios que vemos cada vez mais ameaçados. Ou então, é fruto da miopia que teima em não reconhecer que grupos sociais específicos serão submetidos a arcar desproporcionalmente com as consequências epidêmicas e com as decisões sobre circulação, atividades econômicas e atenção à saúde. E é nesse contexto que se pode se dar a contribuição das ciências sociais. Nesta comunicação discutirei os desafios de uma antropologia pública, tal como ela tem se consolidado neste momento de pandemia.


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