Performances rituais, souvenirs e turismo étnico: objetos indígenas nas reidentificações do pajé Tabajara em Piripiri - Piauí

O Piauí, um dos nove estados do nordeste brasileiro, é palco de um dos últimos fenômenos de reidentificação de povos indígenas no Brasil. As lutas provenientes das disputas por identidades entre frações das populações em contato produzem e reproduzem movimentos que friccionam e colocam em confronto distintas percepções sobre o significado de "ser indígena", tanto para as populações indígenas quanto não indígenas. Durante as visitas de eventuais turistas aos indígenas de Piripiri, município onde se verificou a primeira reivindicação de identidade indígena no Piauí no século XXI, os objetos indígenas comercializados pelo pajé Francisco surgem como evidências da reidentificação, intermediando disputas de convencimento do pajé sobre sua audiência e ao mesmo tempo agindo como fonte de autoconvencimento sobre sua própria identidade. A pergunta que nos guia na construção deste texto é de que forma a comercialização destes souvenirs fabricados pelo pajé e sua família permitem que este estabeleça relações do tipo interétnico com outros grupos e de que maneiras estes objetos étnicos são significados e ressignificados para performarem maneiras de relacionar espaços de atuação identitária, atualizadas nos rituais que visitantes participam e atuam, contrapondo identidades e posições nos jogos de reconhecimento.


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