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A ORGIA QUE NÃO ACONTECEU: A COPA DO MUNDO DE 2014 E A PROSTITUIÇÃO NO RIO DE JANEIRO

Como tem sido comum antes de todos os mega-eventos esportivos das duas últimas décadas, a Copa do Mundo de 2014 no Brasil gerou inúmeras previsões de que as movilidades vinculadas aos jogos levariam a um aumento da exploração sexual e do tráfico de pessoas. A fim de testar a veracidade dessas alegações , o Observatório da Prostituicao da Universidade Federal do Rio de Janeiro mobilizou uma equipe multinacional de mais de uma dúzia de pesquisadores ( antropólogos, jornalistas , sociólogos, especialistas em saúde pública e profissionais do sexo ) para fazer quase 2500 horas de etnografia e observação participante em cerca de 100 locais onde sexo foi comercializado no Rio de Janeiro durante a Copa . Descobrimos que o comércio sexual caiu significativamente (de 30-50% ) na grande maioria dos locais pesquisados, aumentando apenas em 17 pontos, a maioria concentrada no bairro turístico de Copacabana. Nao temos documentado nenhum caso de tráfico de pessoas e não vimos nenhuma evidência de que a exploração sexual de menores aumentou dos baixos níveis normais observáveis nos distritos de prostituição da cidade antes dos jogos. Atividades policiais antes e durante os jogos resultaram em várias violações graves dos direitos humanos : despejos ilegais, estupros de profissionais do sexo por parte da polícia e o encerramento irregular de espaços comerciais sob acusações infundadas. A interrupção do comércio sexual criado pelos jogos nas principais zonas de prostituição do Rio (no Centro e na Vila Mimosa ), combinada com as campanhas de intervenção policial no bairro de Copacabana e no subúrbio de Niterói parece ter aumentado, ironicamente, as oportunidades para encontros sexuais e para o trabalho sexual não regulamentado, ao mesmo tempo em que colocou os trabalhadores do sexo em risco, forçando-os a operar em ambientes estranhos e perigosas.
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