«ADEUS AO DESENHO» - OU UMA TENTATIVA DE TRAZÊ-LO NOVAMENTE AO CAMPO ANTROPOLÓGICO: UM CASO PRÁTICO E AUTORREFLEXIVO

Dentro do campo antropológico, o desenho tem sido contemporaneamente situado num aparente posicionamento de menor relevância em relação a outras formas visuais de recolha de dados etnográficos. Devido ao elevado grau poetizado do grafismo, o filme e a fotografia tornaram-se mecanismos preferenciais para a recolha de imagens mais aproximadas a uma ideologia de fidedignidade ao “real”. O desenho comporta em si mesmo vastas potencialidades no campo alargado da observação etnográfica do mundo – seja na completude de estudos numa vertente mais «clássica», ou naqueles que se reportam a casos onde a existência do aparato tecnológico surge associado a instâncias altaneiras de expropriação imagética –, merecedoras de uma prolífera exploração vindoura e não de um esquecimento estrutural e gradual do grafismo.A partir de um trabalho autorreflexivo – e de certo modo autobiográfico – procurarei validar as competências etnográficas do desenho, entrelaçando-as na minha própria experiência vivida em meio académico e artístico. Tendo como ponto de partida um exercício de captação gráfica de um mercado municipal, discutirei em torno de questões metodológicas e éticas prementes na prática antropológica e do perigo potencial destas serem “trasvestidas” através de uma recolha incessante, apropriadora e voyeurística de imagens alheias.Assumidamente um exercício que sumariza um processo fortemente balizado na minha relação pessoal em torno da arte e da antropologia – não livre de erros, desvios e correções ao longo do trilho – este urge simultaneamente como uma tentativa explicitadora das possibilidades múltiplas do desenho enquanto metodologia de recolha de dados, também de observação do mundo. 


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