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"NEGRITUDE ESTATAL". O ATIVISMO NEGRO EM INSTITUIÇÕES DO ESTADO BRASILEIRO (2003-2014)

Nas últimas décadas ocorreram transformações na construção de imagens positivas da população negra no Brasil, bem como o desenvolvimento de tipos particulares de intervenção política. A mudança de atitude do Estado para com os afro-brasileiros e a criação de políticas contra a discriminação racial foram percebidas como o resultado de pressões das organizações negras. Isso demonstra que as políticas públicas podem ser vistas através de uma “análise processual” de novas demandas na esfera pública da primeira década do século XXI. As ideologias presentes nos movimentos negros foram absorvidas nas esferas de órgãos estatais? Esta comunicação pretende apontar o modo como se efetivou a incorporação do ativismo negro em órgãos até então refratários a discursos com temáticas raciais, como os Ministérios da Educação ou o da Saúde, posto que nas décadas passadas havia uma representação de indivíduos oriundos das entidades negras restrita exclusivamente a órgãos vinculados estritamente à esfera da cultura. Chamo a atenção para o fato de que precisamos ousar na reflexão sobre a entrada em cena na última década de representantes de populações sub-representadas ou marginalizadas em distintas instituições do Estado burocrático. E o que isto pode significar em termos da análise sobre a esfera pública e privada em relação aos movimentos sociais. Essa é uma questão que devemos procurar refletir sobre o lugar da identidade de sujeitos vinculados aos movimentos sociais que passaram a ser incorporados na “estrutura burocrática estatal”. Assim, devemos investigar o modo como se elabora e se reproduz uma negritude estatal.