Gênero, Estado e Religião: emergência e difusão da "ideologia de gênero" na Ibero América

Desde o fim dos anos 1990, proliferou uma literatura religiosa em que a expressão "ideologia de gênero"é empregada para denunciar a existência de uma teoria pseudocientífica ameaçadora para a moral cristã, para a família e a sociedade (O'Leary 1997; Revoredo 1998; Burggraff 2004; Scala 2010; Bonnewijn 2012; Marquéz & Laje 2016; Junqueira 2017;Guisasola 2018). No último quinquênio, essa expressão passou também a compor argumentos parlamentares, propostas legislativas e a ocupar espaço significativo em decisões sobre o reconhecimento de direitos sexuais, políticas educacionais, processos de negociação de paz e eleições nacionais em muitos países ibero-americanos. O reconhecimento da união homoafetiva no México; a aprovação de programas de educação no Brasil, Colômbia, Peru e Navarra/Espanha; a criminalização do feminicídio no Brasil; o acordo de paz com as Farc na Colômbia; a legalização do aborto no Equador, Chile e Argentina; e os recentes processos eleitorais no Brasil e na Espanha são algumas das muitas demonstrações de força do ativismo cristão contra a "ideologia de gênero". Esta comunicação analisará, em perspectiva etnográfica e comparada, as condições de emergência e efeitos da difusão da "ideologia de gênero" na Ibero-América com especial atenção às discursividades agenciadas na produção dessa "distorção semântica"  ou "categoria acusatória" (Cornejo-Valle & Pichardo 2017; Luna 2017); aos processos de estado nos quais seu agenciamento desempenhou importante papel para a obstrução de direitos ou sucesso eleitoral; e a movimentos como o "Con mis hijos no te metas", a "Frente Latino-americana contra a ideologia de gênero" e o "Foro Español da Familia".


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